domingo, 19 de março de 2017

Lucas 15, Filho e Pai e casa



Todos nós já ouvimos e lemos, vezes sem conta, que o filho pródigo, quando se percebeu da sua miséria voltou para casa.
Quantas e quantas vezes não nos foi dito isto, com a melhor das intenções, não dúvido, apenas com o intuito de voltarmos a congregar no formato institucional. Mas eu pergunto.... o filho pródigo voltou mesmo para casa?

É que não me parece que tenha sido isso que aconteceu....

Vamos ver a primeira parte do verso 18 de Lucas 15


"Eu me porei a caminho e voltarei para meu PAI".

Quando dizemos que ele voltou para casa, estamos a tirar o foco do PAI e a colocá-lo na casa. Mas parece-me que o filho poderia estar com o PAI em qualquer lado. Fosse em casa, na rua, na vinha ou no campo a trabalhar. Era do Pai que ele tinha falta. Não de paredes ou de coisas.


Na segunda parte do verso 18 e verso 19, percebemos que inclusivamente ele estava disposto a deixar de ser filho, para poder estar com o PAI.


"Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado
teu filho; trata-me como um dos teus empregados”.

O que ardia no seu interior não eram a roupa, o anel, ou as festas da casa do pai. O que ardia era o seu relacionamento com o Pai. Ainda que tivesse de ser um relacionamento de empregado para patrão, era melhor que nada. O desejo do filho pródigo não era voltar para casa, era voltar para o Pai.


"A seguir, levantou-se e foi para seu pai." (v20)

Não foi a distância que causou o pecado, foi o pecado que causou a distância.
O filho podia tratar da distância, mas apenas o PAI podia tratar do perdão.


E ELE O FEZ


Com um beijo, um anel, com roupa, um sacrifício e uma festa.... e que grande festa.

Se pensarmos que quem estava em casa era uma bela peça, então percebemos que ficar em casa não significa nada em si mesmo.
Especialmente quando não há relacionamento com o Pai. Que era o caso do filho, que ficou... na casa...
Essa falta de relacionamento com o Pai, chega ao ponto de impedir de reconhecer o irmão que voltou aos braços do Pai. Este irmão caseiro preocupava-se com as coisas do Pai, com o ter ou não um sacrifício e uma festa só para ele e para os que ele reconhecia como merecedores das dádivas do Pai. Este irmão caseiro infelizmente não era capaz de reconhecer uma festa, se acordasse no meio dela, sem os seus amigos. Cheia de pródigos.


Então, corramos para os braços do Pai, vamos beijá-Lo, abraça-Lo, e festejar à grande com todos os outros filhos pródigos.



Porque o sacrifício já foi feito, foi-nos dada uma nova roupa, uma nova aliança e amor INCONDICIONAL do PAI.

Feliz dia do pai
Paulo Anselmo

quinta-feira, 9 de março de 2017

1782: O Massacre na Aldeia de índios Moravianos

#1

À 235 anos atrás, 96 Índios Moravianos em Delaware foram massacrados.


Hoje, 8 de Março de 2017, marca o 235º aniversário do massacre de Gnadenhutten dos índios Moravianos de Delaware. Foi neste dia, há 235 anos, que 96 índios cristãos foram massacrados na pequena vila índia moráviana de Gavin, no Ohio, em Delaware. Os restos desses 96 indianos cristãos ficaram espalhados aos animais da floresta e ao clima por mais de 15 anos antes de serem recolhidos e empilhados numa vala comum apelidada de "túmulo para os mártires índios cristãos".

Foi no ano de 1782. Neste amargo dia de frio em Março, um grupo de cerca de 100 índios Moravianos em Delaware estavam a trabalhar nos campos, recolhendo o milho que foram forçados a abandonar durante a colheita do ano anterior.

Fora do bosque e através da neve veio um grande grupo de soldados milicianos, coloniais, a cavalo. Enquanto os índios assustados os observavam aproximar-se, o líder dos milicianos fez um gesto amigável de saudação.

Depois de trocar saudações pacíficas, os milicianos disseram aos índios moravianos de Delaware que eles foram enviados para protege-los das tropas britânicas que se aproximavam e os acompanhariam até perto de Fort Pitt. Convencidos de que suas intenções eram honrosas, os índios cumpriram o pedido de entregar suas armas.

Assim que as armas foram reunidas, a traição foi revelada. Num movimento surpresa, os milicianos voltaram suas armas para os moravianos convertidos do Delaware e informaram-lhes que iriam ser mortos. O grupo assustado, suplicou pelas suas vidas, mas a sede de morte foi forte. Seu pedido foi negado. Quando os índios viram que não havia esperança de misericórdia, pediram tempo para orar e preparar-se para a morte. Eles receberam uma suspensão da execução apenas durante uma noite, e não mais.

Os índios moravianos, condenados, passaram a noite orando e cantando hinos, pedindo perdão a Deus pelos seus próprios pecados e pelos pecados dos homens que em breve tirariam suas vidas. Eles se consolavam e oraram pela força para aceitar seu destino com coragem com o conhecimento de que logo estariam com Jesus, no Céu.

Não querendo desperdiçar valiosas munições, os índios moravianos foram impiedosamente mortos pelas mesmas pessoas, que até hoje eram seus aliados.

Os índios cristãos não resistiram. Eles não lutavam. Eles oraram.

Eu sou compelido falar a esta matéria pois o meu avô, cristão,  Moses Stonefish, dedicou o monumento que está no parque histórico de Gnadenhutten, erigido como um memorial em 1872, e é minha família enterrada nessa tumba.

Gerard F. Heath • 8 de março de 2017
tradução Paulo Anselmo


#1 -Esta litografia de 1855 mostra o massacre de Gnadenhutten , dos índios de Moravianos de  Delaware. fonte: volume Colecções Históricas do Grande Oeste de 1855.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A pastorização da igreja



Entre o mundo dos cristãos, assistimos a um "emburrecimento" porque milhões foram "pastoreados" por um clero profissional.
A "pastorização" faz com que os frequentadores da igreja sejam incapazes de pensar por si mesmos, já que eles são informados sobre o que devem ou não acreditar, pelo clero.
Praticamente todos os dias da semana, as estações de televisão «cristãs» transmitem programas em que homens e mulheres estão de pé em plataformas, muitas vezes com os dedos apontados para a audiência, dizendo-lhe o que devem acreditar.
Há uma grande diferença entre levar o Evangelho do Reino de Deus para os não convertidos, os que ainda não nasceram de novo, e o sistema de "clero profissional" do mundo da igreja.
Embora o nome de Jesus Cristo, seja citado pela maioria dos pastores para validar suas posições, é em torno deles mesmos, que as vidas de milhões de seguidores que os idolatram, gira.

Qualquer um que lê os ensinamentos de Jesus Cristo, conforme estão registados nos Evangelhos, não pode deixar de ver a enorme diferença nos ensinamentos de Cristo e no mundo da igreja.
É espantoso assistir na televisão à quantidade incontável de ​​cristãos sentados em mega-igrejas, como crianças pequenas na escola, sendo pastoreados por clérigos infalíveis e inerrantes.
Qualquer observador externo tem que admirar-se com a aparente robotização dos membros pastoreados sentados nos bancos da igreja. 

Mas Cristo disse que só ele é o pastor - o BOM PASTOR. Jesus Cristo nunca estabeleceu esta forma de "igreja", nem o sistema de controle dos pastores sobre o rebanho de Deus.
Quando Cristo designou os seus discípulos originais, eles, por sua vez, saíram e apontaram outros para Jesus Cristo, não para si mesmos como "pastores" da vida governando o rebanho (1 Pedro 5: 3), nem Pedro e os outros pregaram por lucros imundos (Dinheiro) (1 Pedro 5: 2). Pedro e os discípulos de Cristo eram EXEMPLOS, não CEOs autoritários de «igreja-empresa».

A pastorização de frequentadores e telespectadores de igrejas, é a razão pela qual milhões de crentes são emburrecidos. Quando seres humanos deixam que os outros pensem por si, eles não podem, por sua vez, raciocinar, discernir ou pensar nas questões, porque são sempre os "professores" que o fazem, que pensam. O mesmo se passa com aqueles milhões de pessoas que apenas conhecem a "verdade" sob a forma de "notícias" da televisão.
Uma grande quantidade de reportagens e de notícias, nada mais são que a "opinião de alguém", ou de algum "grupo de interesse" que usa a "notícia" da televisão como meio de doutrinação e enganos subtis (sempre com uma pitada de verdade). 
A televisão é provavelmente a maior ferramenta que o mundo já conheceu, na qual todos sofre uma lavagem cerebral com propaganda sem fim, mentiras, enganos, impiedade e alguma pitada de verdade, tudo em nome da "notícia", do "entretenimento" e do "cristianismo".
No mundo das igrejas, o número de alegados pastores, sacerdotes, bispos e "clérigos profissionais" deve ser de muitos milhares. Nesse tal mundo de clérigos, as divisões e diferenças de  crenças, ensinamentos e práticas varia muito.... Então, todos eles representam Jesus Cristo e a verdade do Reino de Deus? Alguma coisa certamente está errada. 
Qualquer cristão que acredita que os pastores conhecem e compreendem a verdade em Cristo apenas porque se formaram em algum colégio "bíblico", e podem ler hebraico e grego, e são oradores persuasivos, é um cristão iludido!
As coisas de Deus apenas são compreendidas pelo Espírito de Deus, e não porque algum homem ou mulher é chamado de "Doutor", "Pastor" ou "Pastor Principal".
Como pode alguém saber se foi "pastorizados"? 
Podemos reconhecer um cristãos «pastorizado» se algum destes for verdadeiro:
  • Acreditam em tudo o que um pastor diz ou prega em seu púlpito.
  • Acham que seu "pastor" é um homem ou uma mulher em vez do Senhor Jesus.
  • Pensam que têm que dar o dízimo à "igreja" local e ao pastor.
  • Acham que os pastores da igreja têm autoridade sobre suas vidas, em contradição com o que Cristo ensinou (Mateus 23: 8-10).
  • Deixam que os pastores lhes digam o que as escrituras dizem, em vez de provar TODAS AS COISAS para si.
  • Deixam os pastores interpretar a Bíblia para eles, sem estudar por conta própria a verdade.
  • Acham que os pastores da igreja têm direito a uma vida de dinheiro fácil.
  • Pensam que não podem ter um relacionamento pessoal com o Pai / Jesus Cristo, sem "ir à igreja".
  • Pensam que a frequência da igreja ao domingo ou (sábado) é a maior parte da definição do que é "ser um cristão".
  • Pensam que seguir a Jesus Cristo significa ir à igreja todas as semanas e ouvir outro sermão.
  • Acreditam que os pastores são infalíveis e inerrantes e devem ser obedecidos.
  • Suas vidas giram em torno de igreja, actividades da igreja, reuniões de acampamentos, reavivamentos, conferências, seminários e intermináveis ​​reuniões, mesmo quando Jesus Cristo vive nele 24/7 através do Espírito Santo, e NUNCA É NECESSÁRIO ir aqui ou lá à procura de Cristo, Quando Ele vive dentro deles o tempo todo.
  • O foco de suas vidas gira em torno de ouvir pastores pregar, ao invés de ouvir a voz do verdadeiro Pastor.
  • Seu vocabulário é sobre "igreja" e "meu pastor" isto e aquilo, e não sobre o Senhor Jesus.
  • Suas vidas giram em torno da igreja, e não em torno de Jesus Cristo.
  • Acreditam que é rebelião questionar os ensinamentos e práticas dos pastores e igrejas.
  • Pensam que a "Palavra" de Deus é a "Bíblia", quando a Palavra é realmente Jesus Cristo (João 1: 1-3).
  • Nunca pesquisam questões para si mesmos, mas deixam toda a pesquisa e pensamento para os pastores.


Os dois meios pelos quais todos os seres humanos são controlados, governados, regulados até a morte e feitos para viver com medo, é através de governos seculares e religiões, incluindo a igreja. O Igrejismo é uma religião artificial, e não tem nada a ver com o seguimento de Jesus Cristo. A pastorização tem mais a ver com emburrecimento ao ponto de não ser capaz de pensar, raciocinar ou discernir para si mesmo, mas em que os senhores do mundo da igreja governar sobre o pastoreado.
Texto de Ivor Thomas traduzido por Paulo Anselmo

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Como não crer na ressurreição?! Mataram os anabaptistas e nós estamos aqui!

Acerca da Ressurreição na minha Fé libertária:

Creio nela, na ressurreição acima de tudo. É o que distingue Jesus de todos os supostos iluminados khrishnas, orichas, Calvinos, budas, maomets, pseudo-messias, e cª, que não trazem nada de novo e apenas confundem, desviando o foco da Verdade.

Há a verdade imperativa e plena do Amor. Jesus é a Verdade, que é Amor, que é Liberdade de Ser e deixar Ser o Outro e unir todos seres na mesma liberdade de Ser por excelência no Amor.

A Cristo Jesus mataram, mas o Amor ressuscitou, seus discípulos proclamaram seu Livre Amor, foram mortos, mas o Amor continuou, por gerações, no pequeno Rebanho, por aí adiante...

Até que vieram os anabaptistas, viveram e pregaram o Livre e Vero amor, mataram-nos os católicos e os evangélicos, mas não morreram: Aqui estamos nós! Sim aqui estamos, aqui está Cristo sendo formado e nenhum iluminadozinho. Aqui está a Verdade do Amor, onde não há autoridades, mas há apenas um Amor que é Senhor. É Senhor apenas porque é Servo em amor, sublimando e libertando a todos quantos serve.

Sim, Ele anda aqui, e os que o encontram tornam-se livres, vivem o amor, deixam de existir e passam a ser.



não crer na ressurreição?! Mataram os anabaptistas e nós estamos aqui!! O amor Livre jamais morrerá, é a Verdade, é Cristo!!! - J.P. Maia a 9/01/2017, celebrando a ressurreição de Cristo, dos apóstolos, dos anabaptistas e de todo o louco que crê que a Verdade existe, É Amor e não morre, mas apenas passa por invernos sepultada, para ressurgir em novas Primaveras!!!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Cultivar o Coração Activista de Jesus


Lamento imenso informá-los, trolls da Internet - mas Jesus era um guerreiro da justiça social.
E em algumas situações Ele também poderia ser muito ofensivo.
A maioria dos cristãos, pinta em suas mentes uma imagem altamente selectiva de Cristo, que geralmente faz dele uma presença plácida, estóica e passiva; Pouco mais do que um espectador silencioso e sorridente, que era acima de tudo perpétuamente simpático. Nós gostamos deste Jesus manso, bem-educado, benigno. Preferimos especialmente esta versão dEle, quando não gostamos do que estamos a ouvir de outros cristãos. No momento em que alguém, ao afirmar a fé se torna um pouco mais ruidoso, indisciplinado ou desconfortável, nós sugerimos-lhe que eles estão, de alguma forma, traindo Seu nome. Nós tentamos fazê-los comportarem-se bem, envergonhando-os.

"Eu não acredito que te intitulas cristão e ..."
A implicação é que, se estás irritado, sendo ofensivo ou abrasivo, então não está refletindo Jesus de forma clara.

Tretas.

Jesus não era um pacifista, ele era um pacificador, 


e estas são coisas muito diferentes.
Um implica a inacção, o outro compromisso.
No centro da vida e ministério de Jesus estava a ideia de fazer a paz, de criar "Shalom" para outro ser humano; Permitindo-lhes ter o mesmo acesso à plenitude, ao sustento, à justiça e à alegria como qualquer outra pessoa. No seu coração não habitava apenas um entendimento interno sobre o valor intrínseco de todas as pessoas, mas a resposta tangível no mundo em que afirmou esse entendimento, sempre que esse valor era desconsiderado.
Jesus era um activista numa miríade de maneiras:
  • Quando ele virou as mesas e expulsou os agiotas do templo.
  • Quando afirmou que Deus era soberano e merecedor de adoração, numa cultura que declarava isso sobre César.
  • Quando ele tocou a mão de um leproso em vez de expulsá-lo por causa da sua impureza.
  • Quando ele declarou publicamente que a poderosa elite religiosa era uma "ninho de víboras".
  • Quando ele curou num sábado, quando o trabalho era proibido.
  • Quando falou com uma mulher samaritana em público, no meio dia para discutir a fé com ela.
  • Quando ele declarou que o pobre e o oprimido eram seu próprio propósito de ser.

E foi este coração corajoso, sem remorsos e ativista de Jesus que lhe causou as maiores dificuldades e, em última instância, a sua execução, porque perturbou as águas dos poderosos e os religiosos que não estavam acostumados a tal turbulência.
Este é sempre o trabalho do cristão: ser uma voz perturbadora pelos que estão sem voz, mesmo que às vezes significa gritar sobre aqueles habituados a serem ouvidos, desencadeando a sua ira.
Citando o jornalista Finley Peter Dunne, 

"o dever do seguidor de Jesus é
confortar os aflitos e
afligir o confortável"
.

Este é o coração belo e complexo do Evangelho; A tensão específica de ser um extremista, mas um extremista para o Amor.

A maioria das pessoas pensa que Jesus era um pastor, mas isso é apenas uma meia-verdade. Sim, para as ovelhas ele era pastor. Para os vulneráveis, marginalizados e invisíveis, ele era o protector e o que cuidava e curava as feridas. Para eles era segurança e suavidade; Cuidador gentil e o que assegurava a tranquilidade .

Mas não para os lobos. Para os lobos, ele era outra coisa. Para estes, ele era a santa fúria de um Deus indignado, que se recusava a tolerar os maus tratos aos que foram feitos à imagem de Deus. Para os lobos ele era tão feroz, ardente e ofensivo conforme fosse preciso. 

Para os lobos, Jesus era um terror.

Em Mateus capítulo 23, Jesus repetidamente lamenta os líderes religiosos por causa da sua hipocrisia e pelo abuso sobre os que estava sob os seus cuidados e sua influência. Suas palavras eram brutais, ousadas e directas, e pode-se imaginar o senso de auto-justiça dos fariseus a ser atacado, ofendido até. 
Mas isso não era razão suficiente para ele ficar em silêncio. Seus sentimentos feridos não eram a sua prioridade. A defesa daqueles que estavam sendo vítimas era.

As palavras mordazes de Jesus eram verdadeiras, justas e redentoras, e ele não sacrificou nenhuma parte da sua natureza ao entregá-las sem suavidade ou desculpas. Não alterou uma partícula subatômica da sua bondade ao dizer essas palavras e ao ser tão enfático. Seu ativismo implacável foi o transbordar do seu coração compassivo para aqueles que estavam sofrendo, e tem que ser nosso também, se quisermos fazer qualquer reivindicação legítima em seu nome.

Não basta simplesmente ter um peso, é preciso ter um peso que nos leve a responder, mesmo correndo o risco de ser ofensivo para aqueles a quem a resposta nos coloca em oposição direta. Apesar do que alguns cristãos afirmam, a indignação e a benevolência podem habitar o mesmo espaço. Não temos de escolher uma em detrimento da outra. Na verdade, é quando se lhes permite que existam simultaneamente, que a transformação acontece dentro de nós e ao nosso redor. Esses são os dois motores da justiça redentora. Quando estivermos reproduzindo fielmente o coração plenamente expansivo de Jesus, seremos simultaneamente "ministro e ativista", "servo e guerreiro", "protectores de ovelhas e caçadores de lobos". Nós distribuiremos a gentileza e a audácia igualitariamente.

Quando a injustiça ocorre, um grupo está sendo prejudicado enquanto o outro está prejudicando, e o cristão precisa responder a ambas as partes com igual vigor. Fazer somente um, é perpetuar um Cristo tendencioso, que não O honra a Ele, ou à obra que todos nós somos chamados a fazer, a saber a criação de "Shalom" para todos os povos, não apenas para alguns.

Os cristãos nunca devem sacrificar paixão e convicção, no altar do decoro e sentimentos feridos.

Não é uma traição a Jesus viver como um activista, é de fato um abraço de seu próprio coração.
Há muito sobre o que estar indignado nestes dias, por isso deixe-se indignar e permita que a indignação seja uma catalisador.
Sim, cultive a compaixão e respeito por todas as pessoas.
Vá cuidar das ovelhas o mais suavemente possível e com tanta bondade quanto lhe for possível.
Mas quando for preciso, enfrente corajosamente um mundo ofensivo... e arrisque-se a ofendê-lo.

Diante do ódio extremo, seja um extremista de amor que não possa ser silenciado.

Em nome de Jesus, vá em frente e aborreça os lobos onde quer que apareçam; Na sua casa, na sua escola, nas ruas, na igreja, na câmara municipal, parlamento ou na presidência.
John Pavlovitz

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Cristão???







Eu sou um cristão.

Na verdade, recentemente, seria mais correcto afirmar que

 "eu ainda sou um cristão".

Agora, eu digo isso com muito tremor. Digo-o com grande fadiga. E até mesmo um pouco a contragosto. Digo-o com mais do que uma boa dose de vergonha, não de Jesus, mas de muitos do seu povo e de tantos da Igreja que afirmam falar por ele.

Olhando em volta, muito do que representa a minha tradição de fé, particularmente nesta época de eleições, tornou-se numa batalha diária fazer esta declaração, que antes era dita sem esforço, sabendo que agora esta me alinha automaticamente com aqueles que compartilham tão pouco em comum com o Jesus que eu conheci, quando aleguei pela primeira vez ter o nome de cristão.

Ele agora alinha-me com os provocadores de casas-de-banho(1), púlpitos politizados, defensores do privilégio-branco, do racismo e da intolerância, para com tantos grupos de pessoas que representam o "mundo" que eu cresci acreditando que Deus amou.

Há coisas que costumavam ser um dado adquirido de um seguidor de Jesus, não são mais.

Para demasiadas pessoas, ser um cristão não significa que você precisa de ser humilde ou perdoar. Já não significa que você precisa de um coração para servir ou trazer cura. Já não exige compaixão, misericórdia ou benevolência. Já não exige que você vire a outra face ou ame seus inimigos, tome o lugar mais baixo ou ame o próximo como a si mesmo.

Já não requer Jesus.

E assim, as opções são: abandonar a ideia de reivindicar Cristo por completo, para evitar ser considerado "odioso por associação" aos olhos de grande parte do mundo que assiste a isto; ou recuperar o nome cristão para que ele represente uma vez mais, o amor de Jesus no mundo .

Eu estou tentando fazer o último.

Sim, eu sou um cristão, mas há um tipo de cristão que eu me recuso a ser.

Eu recuso-me a ser um cristão que vive com medo de pessoas que parecem, falam, ou fazem um  culto de forma diferente do que eu.

Eu recuso-me a ser um cristão que acredita que Deus abençoa a América (ou o um país em particular), mais do que Deus ama o mundo.

Eu recuso-me a ser um cristão que usa a Bíblia para perpetuar intolerância, racismo ou sexismo, individual ou sistémico.

Eu recuso-me a ser um cristão que valoriza lealdade a uma bandeira, ou a um país, ou a um partido político, acima de imitar Jesus.

Eu recuso-me a ser um cristão relutante em denunciar as palavras de pregadores do ódio, políticos venenosos e aquecedores de cadeiras maldosos, em nome de manter a unidade dos cristãos.

Eu recuso-me a ser um cristão que tolera uma Igreja global, onde nem todas as pessoas são bem-vindas de braços abertos, totalmente celebradas e igualmente cuidadas.

Eu recuso-me a ser um cristão que fala sempre com retórica de "guerra santa" sobre uma horda inimiga invasora que deve ser enfrentada e derrotada.

Eu recuso-me a ser um cristão que é generoso com a condenação e mesquinho com graça.

Eu recuso-me a ser um cristão que não consegue ver a imagem de Deus em pessoas de todas as cores, tradição religiosa, ou orientação sexual.

Eu recuso-me a ser um cristão que exige que outros acreditem no que eu acredito, ou a viver como eu vivo, ou a professar o que professo.

Eu recuso-me a ser um cristão que vê o mundo numa espiral descendente e sem esperança, e só pode condená-lo ou retirar-se dele.

Eu recuso-me a ser um cristão desprovido do carácter de Jesus; sua humildade, compaixão, sua gentileza com as feridas das pessoas, sua atenção aos pobres, esquecidos e marginalizados, a sua intolerância para com a hipocrisia religiosa e da sua expressão clara, do amor de Deus.

Eu recuso-me a ser um cristão a menos que isso signifique viver como uma pessoa da hospitalidade, da cura, da redenção, da justiça, da expectativa que desafia a graça, do amor intuitivo. Estes valores não são negociáveis.

Sim, é muito mais difícil dizê-lo nos dias de hoje, do que jamais foi... mas eu ainda o digo.

Eu ainda sou um cristão, mas eu recuso-me, a ser um sem Jesus.



JOHN PAVLOVITZ

traduzido e adaptado por Paulo Anselmo

(1- Em alguns estados nos EUA, alguns cristãos impuseram uma lei, que cada pessoa apenas deve usar o WC publico, segundo o géneros sexual com que nasceu)


sábado, 5 de março de 2016

Evangelho e politica

 

O Evangelho não é partidário, mas é político, é para todos.
Não é de esquerda, nem de direita. Existe antes desses termos!
Preserva todas vidas, até dos mais frágeis, em detrimento da falsa liberdade duns para matar outros: fetos, crianças, velhos, animais.
 
O Evangelho respeita todos, indigna-se com todo mal, tem padrões do que é saudável e do que é deformado, mas aceita tudo e todos, não tolera elites nem explorações, defende tudo para todos, vê a mulher afligida no ocidente, mas também no oriente; crendo que a mulher é oprimida pela indumentária puritana cristã assembleiana, por exemplo, mas ainda mais pela burka e véu islâmicos e semelhantes, ainda que a escrava o negue.
 
O Evangelho abomina todas potestades desumanizantes, não formata nem estereotipa, antes, sublima as individualidades na sinergia comunitária. Não tem guerras justas nem injustas, apenas a PAZ que só pode emanar de justiça social.

O Evangelho não tem o absoluto de que tudo é relativo, mas todas as relatividades, de todas as subjectividades dos indivíduos que não oprimam, cabem no exclusivo Absoluto do Amor... 
José Maia
(adaptado por Paulo Anselmo)